terça-feira, 30 de abril de 2013

Irmãos de armas


A capacidade de criar
É algo que existe em todos,
Não apenas numa entidade divina
Que dá à luz vida e mundos.

É aí que o ser humano surpreende,
Se bem que às vezes não o sabe fazer,
A sua estupidez costuma fazer-se valer,
Mas aquilo que é bom consegue satisfazer.

Não interessa se são ciências ou artes,
Números, ou letras,
Elementos para ligar partes,
Tudo serve para apagar as ignorantes trevas.

Falemos em personagens.
Surgiu primeiro um sofredor, um mártir,
Um que tem no seu corpo a dor marcada
E no seu espírito a sua amada.

Falemos em cavalos e malhas de aço
E temos um cavaleiro diferente do normal,
Um a quem Deus estende o seu braço
E o torna um pesadelo para qualquer mal.

Anjos e Demónios são ancestrais,
E apesar de eternos rivais,
Nada os impede de inovarem,
Mostrando algo bastante longe do esperado.

Quando a mente humana se quebra,
Só se pode esperar o pior.
Nem sangue, suor e lágrimas chegam.
Nem a própria Morte se atreve a mostrar o seu melhor.

O dinheiro pode matar,
E um estabelece uma relação entre ambos,
Um sem rosto,
Mas perigoso o suficiente para deixar o mundo em escombros.

Juntos caminhamos,
Em frente, em direcção ao mundo.
Prontos para tudo e todos.
Resta saber se o mundo está pronto.


Ass: Daniel Teixeira de Carvalho

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Ninguém é feliz eternamente. Nada de bom dura para sempre. Haverá sempre algo negro ao virar da esquina, a esperar pela melhor altura para arruinar as nossas vidas.
Todos se deixam levar pelo momento e nenhum pensa nas consequências, e se alguém o faz, decerto que não é com boas intenções.
Mais uma vez observo tudo e todos, e mais uma vez estão todos demasiado ocupados para reparar em mim, o que facilita o meu trabalho. Vejo amores a serem depositados nas mãos de quem não os merece. Pelo que é mais sagrado! Até eu vejo que nada de bom sairá dali! Mas que se há de fazer? O ser humano continua ainda muito dependente dos seus erros para poder aprender. Quando o pior acontece será realmente necesário o consolo? Afinal de contas, tal era o esperado desde o início. Mas quem sou eu para dizer o que quer que seja? Ainda assim, creio ter razão.
A dor é dos maiores aliados que podemos ter, e quanto mais depressa nos habituarmos a ela, melhor.
Irei continuar a observar. Ver quantos mais corações partidos surgem. Talvez os deva ajudar, ensiná-los a aprender com a dor. Talvez o faça, mas a minha atenção recairá sempre na origem de todo o sofrimento, e quando o causador tiver provado o seu próprio veneno e mais um bocado, aí já posso considerar outras opções.
Death Master

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Quando dois mundos colidem


No início uma pedra imaculada
E no fim uma bela estátua.
Esta verdade pode ser derrubada,
Mas a base lógica não pode ser mudada.

É suposto, desde o nosso nascer,
Aprender e mudar com o viver,
Moldando a nossa personalidade
Em algo igual ou nada a ver com a realidade.

Personalidade e aspecto estão interligados,
Uma vez que os meios que os afectam,
De uma forma ou de outra cooperam
Alcançando o público, para já, nada indignado.

Tanto pode ser ocasional
Como também pode ser intencional,
Como é o caso deste que escreve
Que se fragmentou para a depressão não deixar nenhum mal.

Arrependimento?
Nenhum, ou pelo menos não de momento,
Uma vez que aliados não há muitos,
E com isto existe sempre um por perto.

Antes de poder confiar nos outros
Temos primeiro que confiar em nós,
No que é criado por nós,
E só depois podemos, talvez, confiar nos outros expostos

A colisão de dois mudos
Tanto pode ser algo bom como de puro mal,
Mas, pelo bem de todos,
Esforçemo-nos para que nada de mal tenha o final.






Ass: Daniel Teixeira de Carvalho

domingo, 27 de janeiro de 2013

Um último desabafo?


Quando a tristeza chega
Questionamos o porquê da sua vinda.
Procuramos enxergar
O porquê desta nova vida
Que corroi a nossa
De forma nada misericordiosa.

Tudo se deve ao querer algo,
Ao querer algo que já se teve
E que agora não pode ser recuperado
Por causa da distância entre
O presente e o passado.

Viveu-se, passou a ser memória,
E a memória tornou-se saudade,
Saudade essa que se manifesta
Quando surge a inocente oportunidade
De reviver aquela vida perdida.

As imagens surgem
E podem ser sentidas de mil e uma formas,
Enganando-nos porque reais não são,
Apenas as idas horas
De felizes tempos que já lá vão.

Não adianta expressar esta dor,
Seja através de músicas ou de meras palavras,
Uma vez que ela existirá sempre
Acompanhando estas passadas
Ignorando o esforço
Dela me livrar,
Algo que parece dar-lhe motivos para celebrar.

Enquanto o sangue se junta ao chão duro
Aguardo a minha hora
Aqui,
Sozinho no escuro.



Ass: Daniel Teixeira de Carvalho

domingo, 16 de dezembro de 2012

Misericórdia


Sentado à frente de uma qualquer secretária,
Rodeado por palavras de significado ausente,
Procedo a mais uma reflexão,
A mais um desperdício de tempo para a mente.

Navegando nas memórias bem cravadas,
Surge a saudade de tempos de futuro incerto.
As imagens iluminam a escuridão que banha a secretária,
Mas sei que a visita é temporária.

Insistindo, elas aparecem de dia e de noite,
Assumindo a forma dos já idos,
Ou simplesmente dos que estão longe,
E aparecem porque simplesmente se pode.

Sanidade é algo vago,
E neste caso inexistente,
Pois a dor de gosto amargo
Mostra-se sempre exigente.

De que adianta aprender a gostar
Se tal apenas leva ao piorar?
De que adianta avançar
Se persiste o recuar?

Poderia continuar a divagar,
Afogando-me num oceano de palavras,
Mas o ritmo da vida
Simplesmente não tolera dramas.

Por muito esperei
E seria de esperar algo melhor,
Mas a solidão é lei
E a loucura a sua dor.

Concluindo este pensamento abstracto,
Resta-me agradecer
À solidão e à loucura
Por lá terem sempre estado.

Ass: Daniel Teixeira de Carvalho

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Enfim


Sempre presente
Sempre atento
Assim fui eu
Sem qualquer desalento.

Sempre a ajudar
Sem alguma vez pensar em parar
Porque auxiliar
Sempre foi o meu intento.

Ouvindo notícias boas e más
Esperando que a vida não volte atrás
Pensava eu,
Inocente como os demais.

Umas vezes culpado
Talvez até em excesso
Mas ao descobrir que tal foi engano
Vontade surgiu para reparar esse dano.

Puro ódio negro,
Reluzente raiva ardente
E tímida esperança reluzente
Juntaram-se para assombrar a minha mente.

Não há espaço para gratidão
Quando a obscura imensidão
Congelou qualquer necessidade de emoção,
Criando uma provável aberração.

Dor, minha amiga,
Sempre fiel e presente,
Professora da vida
E mais sábia que a mortal gente.

Aprendendo diariamente
Fragmentando uma já perturbada mente
Para evitar uma saúde demente
Assim se viveu e, quiçá, se continuará para todo o sempre.

Nunca um mártir
Nem esperando atenção.
Apenas mais um
Tentando dar exemplos à multidão.

Quando a vida se volta contra ti
Quando tu fazes por isso,
Há uma lição a tirar
Que não um continuado improviso.

Continua assim
Caminhando para o precipício.
A vida é curta,
E talvez seja tarde quando te aperceberes disso.

Sentem dor e queixam-se.
Não conseguem compreender
Que ela faz parte do viver
E que só quer ajudar o próprio ser.

Tentei e falhei
Quando tentei ensinar
Que a frieza e a preocupação decente
Seria algo a tomar.

Tal não me preocupou
Por haver sempre algo mais importante.
O mundo mudou
E custa-me dizer que se tornou mais ignorante.

Contudo,
Continuo na mesma.
Não adianta sentir pesar
Por algo que não se quer preocupar.

Em dor me encontro e os vejo,
Preocupando-se com o mais puro nada
E vivendo vidas de puro desleixo
Como se tal fosse o propósito da vida.

Olho para ela e sorrio.
Afinal de contas, eles são como eu,
Apenas não sabem usar a dor
Na vida que se lhes deu.

Ass: Daniel Teixeira de Carvalho


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Entre mundos


Desde os nossos primórdios
Tem existido um confronto
Entre dois mundos mais que históricos,
Sendo um deles mais que hediondo.

Para além do mundo infernal
E do seu oposto,
Existe o mundo pessoal,
Mundo esse que talvez mereça um melhor gosto.

Contudo, tal mundo não se encontra só,
Ele próprio fragmenta-se
Sem piedade nem dó,
Porque quem nele vive afugentar deixa-se.

Todos acabam por entrar no virtual,
E todos pretendem deixar a sua marca,
Seja ela natural
Ou proveniente de uma alterada arca.

Dou por mim rodeado por imensas colinas digitais.
Vejo imagens e oiço-as também,
E sigo pelos vales
Desta nova terra de ninguém.

Avanço à procura,
Visto nada mais me importar,
E quando a encontro na noite escura
Recosto-me para observar.

A minha ajuda está sempre disponível
Para aqueles que a pedem,
E mesmo que pareça invisível,
Certifico-me que eles se contentem.

Não sei durante quanto tempo é que observo.
Sei apenas que o sítio onde me sento
Se encontra num mortiço virtual nervo
E que parece esquecido pelo tempo.

Por vezes tudo o que temos desaparece,
E a surpresa deixa-nos estáticos.
A vida enegrece,
E a falta de ar deixa-nos mais que asmáticos.

Levanto-me no preciso momento
Em que o meu assento
Aceita o seu tormento
E morre por ter acabado o seu tempo.

Ao contemplar o pó,
Volto o olhar para onde olhava,
Para ver um só
Nada que me atormentava.

Olho à minha volta.
Mais colinas se transformam em pó,
E desapareço antes que esta queda esbelta
Me deixe mais que só.

A este mundo voltarei,
Tal como os outros que acabarei por vir a conhecer.
Contudo, só de viver acabarei
Quando mais nada houver a fazer.

Caminho entre mundos,
E como outros, deixo a minha pisada
Para que nesses escombros
Ela seja lembrada e acarinhada.














Ass: Daniel Teixeira de Carvalho